A colina de Ayasuluk — onde Éfeso encontrou a Idade Média
Quando a cidade costeira de Éfeso começou a sufocar devido ao assoreamento da baía e à malária, os habitantes abandonaram a grande cidade de mármore e subiram a esta colina. A Colina de Ayasuluk (Ayasuluk Tepesi) — um antigo höyük junto a Selçuk — acolheu os efésios, tornou-se a capital do beylik de Aydinoglu e guarda nas suas encostas camadas de história desde a Idade do Bronze até à época otomana. Hoje, aqui encontram-se as ruínas da Basílica de São João, construída por Justiniano no século VI, e a fortaleza seljúcida-otomana, e todo o complexo faz parte do Património Mundial da UNESCO «Éfeso». A colina de Ayasuluk e Éfeso estão separadas por alguns quilómetros, mas estão indissociavelmente ligadas: a primeira é a matriz da qual a segunda surgiu e o refúgio para onde esta regressou no final da sua história. Para o viajante, este local oferece uma perspetiva completamente diferente de Éfeso — não através do mármore da Biblioteca de Celsus, mas através das pedras da fortaleza medieval sobre o vale, onde antes havia o mar.
História e origem da Colina de Ayasuluk
Os vestígios mais antigos de ocupação na colina de Ayasuluk datam do final do Calcolítico e do início da Idade do Bronze. Naquela época, a costa marítima chegava até a encosta ocidental da colina — o que explica por que surgiu aqui um povoado fortificado: a colina era um posto de vigia natural sobre uma baía de fácil acesso. Durante o final da Idade do Bronze, surgiram aqui túmulos de pedra e fortificações; os achados incluem cerâmica micénica e selos. A maioria dos investigadores tende a identificar este povoado com Apasa — a capital do reino de Arzawa, mencionado em fontes hititas.
Desde a viragem do milénio até à época helenística, foi precisamente em Ayasuluk e nos seus arredores que se concentrou a antiga Éfeso — antes de o general Lisímaco, no século III a.C., transferisse a cidade para um novo local, mais monumental, no sopé das colinas de Panair e Bülbül. Desde então, a colina de Ayasuluk perdeu a sua importância urbana, mas manteve a religiosa: segundo a tradição, foi precisamente aqui que João, o Teólogo, foi sepultado.
No século V d.C., foi erguida uma pequena igreja basílica sobre o suposto túmulo do apóstolo. No século VI, a igreja foi danificada por terramotos e a imperatriz Teodora, devido a uma doença, escreveu ao marido pedindo-lhe que restaurasse o santuário. Justiniano I atendeu ao pedido: em 535/536, iniciou-se a construção de uma nova e grandiosa basílica abobadada de planta cruciforme — no mesmo estilo da Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla. Os contemporâneos consideravam-na uma das maravilhas do mundo medieval; a sua construção decorreu em paralelo com a de Santa Sofia e da Basílica de Sant'Apollinare Nuovo, em Ravena.
No século VII, após o início das guerras árabe-bizantinas e a migração em massa dos efésios da costa pantanosa para a colina, Ayasuluk voltou a ser o principal povoado. Para proteger a basílica, foram erguidas muralhas. Em 1304, a colina foi conquistada pela dinastia seljúcida, que transformou a basílica numa mesquita. Em 1402, as tropas de Tamerlão destruíram grande parte das construções. Posteriormente, a fortaleza foi restaurada tanto pelos governantes seljúcidas como pelos otomanos. Entre 1920 e 1922, a colina esteve sob ocupação grega durante a guerra greco-turca. O arqueólogo grego G. A. Sotiriou abriu o túmulo de João Apóstolo e encontrou-o vazio: as relíquias tinham sido transferidas para Constantinopla ainda no século VI.
Arquitetura e o que ver
A colina de Ayasuluk faz parte do complexo turístico de Selçuk e pode ser visitada com um bilhete combinado, juntamente com a Basílica de São João. A fortaleza e as ruínas da basílica são os principais pontos de interesse.
Basílica de São João o Teólogo
A basílica, construída por Justiniano no século VI, foi um dos maiores templos cristãos da sua época. A sua planta — uma basílica cruciforme com cúpula — foi diretamente inspirada na Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla. As ruínas atuais — fragmentos de colunatas, arcos e alvenaria — dão apenas uma vaga ideia da magnitude que outrora teve. Algumas colunas e portais foram recuperados durante a restauração, financiada por fundos religiosos americanos após 1923. O túmulo do Apóstolo João está assinalado na nave central — quatro colunas maciças outrora sustentavam a cúpula sobre este local.
Fortaleza de Ayasuluk
A fortaleza seljúcida-otomana foi erguida com pedra de cantaria e spolia — blocos de construção antigos e bizantinos reutilizados. A muralha exterior é reforçada por 15 torres; a cidadela interior tem duas entradas — a ocidental e a oriental. O portão ocidental é protegido por paredes salientes. No interior da fortaleza, conservam-se cinco cisternas de água; uma delas é a abside (parte oriental) da basílica de Justiniano, reconvertida em reservatório após a conquista seljúcida.
Aqueduto e abastecimento de água
Para abastecer a colina com água, foi construído um ramal de aqueduto com cerca de 650 metros de comprimento, presumivelmente ainda na época de Justiniano. As fontes de água situavam-se entre Belevi e Selçuk, na localidade de Pranğa. Fragmentos do aqueduto conservam-se até hoje, atingindo em alguns pontos 15 metros de altura.
Portão da Perseguição e İsa Bey Camii
No sopé da colina ergue-se a Mesquita de Isa Bey (İsa Bey Camii, 1375), construída por Fahreddin Isa Bey, da dinastia Aydinoglu — numa época em que Ayasuluk era a capital do beylik. A talha dos portões da mesquita remete para a decoração do pavilhão fortificado na colina — ao que tudo indica, foram construídos simultaneamente pelos mesmos mestres.
Factos e lendas interessantes
- O nome grego medieval da colina — Theologos (Θεολόγος), ou seja, «Teólogo» — deu origem ao atual nome turco Ayasuluk através da seguinte cadeia: Hagios Theológos → Agios Theologos → Ayasuluk.
- A Basílica de Justiniano foi construída em paralelo com a famosa Hagia Sofia em Constantinopla e a Basílica de Sant'Apollinare Nuovo em Ravena — durante um dos mais grandiosos programas de construção da história da Bizâncio.
- O arqueólogo grego G. A. Sotiriou descobriu, na década de 1920, que o túmulo do apóstolo João estava vazio: as relíquias tinham sido transferidas para Constantinopla no século VI. Esta descoberta não diminuiu o significado de peregrinação do local — o túmulo continua a ser venerado até hoje.
- Na colina foram identificadas seis camadas de ocupação, desde a Idade do Bronze inicial até ao período antigo tardio. Isto torna Ayasuluk um dos locais-chave para a compreensão da história pré-efésia da região.
Como chegar
A colina de Ayasuluk situa-se na cidade de Selçuk, província de Izmir, a cerca de 3 km a norte das principais ruínas de Éfeso. O aeroporto mais próximo é o de Izmir Adnan Menderes (ADB); daí até Selçuk são cerca de 70 km de comboio İZBAN ou de autocarro (1–1,5 horas). Os comboios İZBAN param diretamente em Selçuk.
Em Selçuk, pode-se chegar a pé à colina de Ayasuluk a partir da estação ferroviária (15–20 minutos) ou apanhar um táxi. O complexo situa-se na parte norte da cidade, junto à Basílica de São João e à mesquita Isa Bey. Os bilhetes são vendidos na entrada; frequentemente existe um bilhete combinado com outros locais de Selçuk.
Para os viajantes vindos de Kuşadası — cerca de 20 km de dolmuş. Os condutores podem utilizar o parque de estacionamento no sopé da colina.
Dicas para o viajante
É lógico incluir a colina de Ayasuluk no itinerário, juntamente com as principais ruínas de Éfeso e o Museu Arqueológico de Selçuk. A ordem ideal: de manhã — Éfeso (começando pelo portão superior), à tarde — Ayasuluk e a Basílica de João, ao fim da tarde — o museu de Selçuk. Este percurso permite ver todas as épocas da história de Éfeso por ordem cronológica.
Reserve 1,5 a 2 horas para visitar o complexo da Basílica e da fortaleza. A subida ao monte não é difícil, mas requer calçado confortável — o pavimento de pedras antigas é irregular. Nos meses quentes, leve água: há pouca sombra e o sol de julho é intenso nas ruínas a céu aberto.
O valor especial de Ayasuluk é a vista do topo da fortaleza para o vale, onde antes havia uma baía e agora há campos, e para o silhueta distante da colina de Bülbül, acima de Éfeso. É precisamente deste ângulo que se compreende como funcionava todo o sistema geográfico: a colina de Ayasuluk como posto de vigia, Éfeso como cidade mercantil junto à água, e o mar, que acabou por trair o seu senhor — recuando, deixando o porto sem sentido. Junte a Colina de Ayasuluk à aldeia de Sirince e às ruínas do Templo de Artemis — e terá um dos melhores percursos de um dia na Turquia egeia.